angrygirls series presents: li ohaina l e m o na d e
por Karine Bravo


equipe

Entre uma das 100 mensagens recebidas no inbox, encontramos Li.
Maravilhosa, negra e gorda, logo mandou duas fotos incríveis de si mesma deixando claro que nunca havia sido modelo. Não precisamos muita conversa para confirmar que ela era exatamente quem nós procurávamos. Ensaio marcado.

No desenrolar da página, você confere o resultado da primeira seleção entre 100 mensagens no inbox e 439 comentários de um post no facebook que procurava por uma modelo gorda. Contamos em detalhes sobre o empoderamento de Li Ohaina em um ensaio veranístico fotografado em uma tarde fria.

LI OHAINA CHEGOU NA LOCAÇÃO SEM NUNCA TER VESTIDO UM MAIÔ. SAIU DE LÁ ANSIOSA PARA A PRÓXIMA IDA À PRAIA.

E QUI PE
ph otos finíssimas: @janisjfl
styling e correrias: @angrykarine
visus especiais e maiôs incríveis: @b.amassado / @ccochilo
MUA e muito brilho corporal: @makebymarinac
deusa, musa & inspiração: @umamulhernegra

Hoje a gente fez um ensaio só de maiô. Qual é a sua história com essa peça?
Eu nunca usei maiô antes. Sempre que eu vou pra praia não entro no mar. Por mim, não sinto vergonha, mas a minha família é complicada, aí pra não me estressar, evito e nem tento usar. Mas hoje eu vi que ficou bom mesmo, nossa, me senti outra pessoa! Pensar que você pode usar é uma coisa, mas você se ver usando, é outra completamente diferente. Agora vai fazer muita diferença na minha vida, principalmente se eu for mesmo pra praia!

Como é a experiência de comprar roupas pra você?
Pra comprar roupa é tenso. É muito caro e não é todo lugar que tem. As vezes a numeração grande não serve, fica apertada mesmo sendo grande na etiqueta. Antes eu só comprava calça e camiseta masculina, porque assim não me estressava. Um M me serve, agora um G feminino? Não.
Além disso, essas lojas "plus size" são um absurdo de caras, acabo comprando o tecido e mandando fazer.

Quem são as minas gordas que te inspiram?
Gisella Francisca, Ju Romano, Simone Mariposa

Se você pudesse dar um conselho pra uma menina que ainda se sente deslocada por causa do peso, o que você falaria?
Um conselho? Ah, com certeza falaria, que ela não deveria de forma alguma se sentir deslocada ou inferior por ser gorda! E ver que mesmo sendo gorda ela não deixa de ser mulher, linda, atraente e se orgulhar disso!

Como foi, pra você, fazer as fotos? Conta um pouquinho da experiência. Do que você sentiu antes e depois!
Foi uma experiência incrível pra mim, que com certeza eu vou levar pra vida, ali eu pude ver que não preciso ser magra, pra ser bonita, que posso me amar do jeito que eu sou e também me expor sem vergonha, sem passar por constrangimentos por ser gorda, foi muito lindo!



Você acha que as mulheres gordas precisam de mais espaço na mídia e na moda? Se sim, como você acha que esse espaço pode acontecer?
Sim, primeiramente a mídia e o mundo da moda, deviam desconstruir esse padrão de que mulher bonita é mulher magra! Hoje em dia as mulheres gordas já tem mais visibilidade, ainda dá pra melhorar na minha opinião! Que nem as lojas de roupas, as roupas "plus size" deveriam ser vendidas em todo tipo de loja e não nas lojas específicas, que por sinal são absurdas de tão caras e sem variedades! Acho que quebrando essa separação, entre as gordas e as magras já seria um começo sabe, por que somos todas iguais.

Li começou a usar turbantes recentemente e a mostrar as pernas só este ano. Segundo ela, agora que está ficando mais velha e conhecendo outras pessoas, seu empoderamento está mudando. Ela se sente encorajada a testar novos looks, composições e estampas que não usaria há alguns meses. Além de suas amigas que a encorajam a ousar, conta com os conselhos de experts em moda plus size como Juliana Romano e Gisella Francisca.

"Por mais que eu nunca tenha visto elas pessoalmente, já me ajudaram horrores. As vezes você quer usar algo e não tenta porque não vê pessoas usando; tipo nas vitrines, você só vê roupas pra mulher gorda em lojas de pessoas plus size, que geralmente são super bregas. Já elas (Juliana Romano e Gisella Francisca), eu vejo usando umas roupas muito fodas, eu choro no estilo delas."

Hoje, Li Ohaina enxerga que pode usar o que quiser. O próximo passo? Raspar a cabeça, empoderar outras mulheres e não parar nunca mais.